EXES E AS FALSAS NOSTALGIAS

junho 02, 2018

Em algum momento de 2016, eu conheci essa banda (na verdade um duo) que cantava músicas sobre crushes e amores da juventude. Não demorou muito até eu me ver apaixonada por aquelas melodias sonolentas e a voz dream pop que saia pelos fones de ouvido.


Allie McDonald e Mike Derenzo são de Los Angeles (atualmente, porém, a Allie mora em Nova Iorque) e se conheceram durante a faculdade. Mike é um produtor musical e Allie é a vocalista que conta histórias, os dois juntos tem a força de te levar para outra dimensão e apenas sentir. Eles batizaram o nome do duo de EXES e pode parecer meio inusitado, mas o nome traduz tudo o que eles falam sobre. Eles contam histórias do passado, sejam elas boas ou ruins; tem uma entrevista que eles falam que eles são "inspirados pelas pessoas, lugares e coisas do nosso passado. Seja eles nos assombrando ou nos mantendo quente de noite. Seja eles queimando os nossos corações ou segurando nossas mãos."¹.

É interessante o quanto a gente pode se relacionar com alguma coisa mesmo se a gente nunca passou por aquilo. Como escritora, descobrir diversas narrativas me fascina completamente; passar horas e horas vivendo aquelas experiências de outras pessoas e pode absorver aquelas sensações para mim mesma. Quando as pessoas começam a se relacionar com os nossos sentimentos e sensações é quando a gente sabe que está dando certo; acho que quando pessoas que nunca passaram por aquilo também se relacionam é porque está dando muito certo.

Talvez seja o nível de intimidade que existe nas composições de Allie ou na produção de Mike, porém a junção dos dois resultam na perfeita nostalgia quando escutamos e somos transportados para toda uma onda de sentimentos que está sendo cantado e que nos fazem reagir da melhor maneira possível. A primeira vez em que escutei uma música deles, "18" me fez essa experiência de falsa nostalgia e que é muito fácil pensar de quando temos certa idade e ser jovem e pequenas paixões com seriados e filmes (e músicas) sobre tudo isso, mas ter essa experiência de verdade é outra história, só que quando eu escuto EXES a realidade não importa muito e está tudo bem.

A primeira música que eles lançaram foi em 2015 chamada "Grey", que só ficou disponível no Spotify em 2017. Depois foi lançado "18", "Twentythousand" e "Like You" que fazem parte do primeiro EP chamado "The Art of Saying Goodbye" lançado no final de 2016. Até hoje foram lançados mais sete músicas, além de uma collab com Alexx Mack. Em cada música é possível a gente perceber o nível de intimidade das letras e então entrar naquele universo da música. Não é tão difícil assim interpretar aqueles cenários descritos nas letras, sabendo que aquilo já aconteceu e é real. Allie já admitiu quando uma letra é difícil de ser escrita e lançá-las e compartilhar elas com outras pessoas é algo importante e podemos sentir isso em cada música. Provavelmente a melhor faixa para demonstrar o quão pessoal e íntimo são as letras e os sentimentos que EXES passam é com a música "Cain". É uma canção extremamente pessoal sobre a ida de Allie para Londres encontrar a família e amigos do seu primeiro amor, Cain, que morreu seis meses antes; Allie e Cain nunca chegaram a se conhecer pessoalmente e ele era a sua maior inspiração na hora de compor.

Quando se trata de passado muitos sentimentos podem estar envolvidos seja saudade, raiva, felicidade ou tristeza; cada música expressa uma dessas emoções e até um mesmo passado pode envolver mais de uma emoção. É o que acontece com "Sherman Oaks", que fala sobre uma paixão no início e que nada é muito claro e ela vai em frente com aquele sentimento, e depois em "Over" podemos ver o mesmo relacionamento no final em que ainda existe muito sofrimento e que ela dá um ponto final. Ou como em "Taxi" que conseguimos entender que se passa em um momento que não é mais o presente, mas ainda aquece o coração como se fosse o agora.

Eu, particularmente, encontro dificuldade em encontrar músicas que conversam com a minha alma em um nível que chega a ser mindblowing e eu sei que tal artista deve ser guardado a sete chaves no coração quando além disso ele consegue me fazer sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes ou imaginar cenários que eu nunca estive antes. Mesmo quando lançaram a sua última música, "Peckham", em que tentaram algo diferente das outras canções e que no começo assustou um pouco, ainda dá para ver que a essência do duo ainda está lá e está sentindo tudo de novo e ainda sim algo completamente diferente.

Desde que eu encontrei EXES na internet, eu me sinto encantada por cada coisa que eles fazem seja nas músicas ou na interação deles com as pessoas que escutam o que eles produzem. É fácil se apaixonar por artistas assim, que colocam tanta atenção na relação com as pessoas quanto na intimidade das letras, assim como as pessoas que os escutam se sentem mais próximos deles por causa das coisas que eles contam. Não tem outra forma de descrever esse duo a não ser a sensação de aquecer o coração.

***

Todas as vezes que eu escuto alguma música de EXES eu me sinto inspirada para escrever, é algo meio automático escutar eles e minha mente ser transportada para a dimensão da criatividade. Em 2016, alguns meses depois de ter descoberto eles no Spotify, eu escrevi um conto chamado "18" que é inspirado nas três primeiras músicas que eles liberaram na plataforma: "18", "Twentythousand" e "Like You"; ela tem três atos e cada parte foi inspirada em uma das músicas. Se você quiser ler esse conto (e outros contos que eu escrevi inspirados em outras músicas), pode clicar aqui.

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