SOBRE CAIR NA REAL, CRUSHES E ALÉM-MUNDOS

setembro 14, 2017

"In a novel you always knew the moment when something Happened, when someone Changed. But real life was full of gradual, piecemeal, continuous transformation. It was full of accidents and undefineables, and things that just happened on their own." - Além-mundos, Scott Westerfeld

procurando por uma foto de Nova Iorque, eu percebi que não tenho uma foto do Chrysler Building, o que me deixou com mais vontade ainda de voltar para lá (ps: eu nunca me canso dessas fotos e nem elas ficam sem graça)

Bem-vindos ao post bimensal onde eu falo sobre várias coisas que aconteceram na minha vida nos últimos tempos sem necessariamente falar sobre o que aconteceu. No mês passado, eu li esse livro maravilhoso que, na primeira página, eu tinha a certeza de que eu iria resenhar ele para o blog, mas durante a leitura coisas foram acontecendo e, agora, toda vez que eu penso nesse livro eu quero deitar em posição fetal e chorar. O post de hoje é como "Além-mundos" me deu a maior crise existencial dos últimos anos.

O semestre estava acabando e meus professores decidiram todos tirar férias no último mês antes do semestre terminar (eu ainda não entendi porque eles pensaram que seria melhor tirar férias em julho e voltar na primeira semana de agosto para darem uma aula cada e aí entrar no recesso de novo, mas eu parei de tentar entender os meus professores tem um tempo), então eu estava procurando algo para ocupar o meu tempo de forma produtiva e foi quando o meu exemplar de "Além-mundos" brilhou e anjos cantaram. Eu já comentei que ele tem quase 550 páginas e eu estava a meia hora de ir para a rodoviária? Pois é.

Se você não sabe, "Além-mundos" é um livro do Scott Westerfeld lançado aqui no Brasil ano passado pela Editora Galera Record. Mais ou menos o livro é assim: a Darcy escreveu um livro durante o NaNoWriMo e quando terminou, ela mandou o manuscrito para uma agência, que mandou para uma editora, que assinou um contrato surreal para publicar o livro de Darcy! Mas o livro não para por aí, tem uma outra história dentro do livro, a história que a Darcy escreveu: Lizzie voltava para a sua casa depois de passar uns dias com o pai e, no aeroporto, ela é vítima de um ataque terrorista. Durante esse ataque, Lizzie descobre que ela é uma psicopompo (assim como a Lizzie, eu não gosto desse nome, além de achá-lo bem estranho) e passa a descobrir várias coisas que são spoilers. O livro intercala as histórias de um jeito bem bacaninha e, eu, uma pessoa que não sou muito do gênero fantasia, vida além morte, espíritos, fiquei bem animada com a história da Lizzie (se você, assim como eu, leu "Fangirl" e também ficou com um pouco de sono das partes de Simon no livro e está com medo de ficar da mesma forma com "Além-mundos", não fique, é bem mais divertido).

Eu sou uma pessoa que, uma vez que alguém me decepciona, eu fico pelo resto da vida com um pé atrás com ela e isso não seria diferente com autores (é por isso que eu provavelmente nunca vou tentar ler outro livro do David Levithan). Eu já tinha lido "Feios", do Scott e ele foi legalzinho, mas não o suficiente para eu ler o resto e eu sempre fiquei com um super pé atrás de ler outras coisas dele, no entanto "Além-mundos" checa todas as minhas caixinhas de livro perfeito da minha vida e eu tinha ótimas recomendações de pessoas bem confiáveis sobre ele, então eu resolvi dar uma chance. O único comentário útil que vocês vão ter de mim sobre esse livro além de gritos e eu esfregando esse livro na cara de todo mundo é: Amém, Scott Westerfeld.

Neste post, nós vamos focar na narrativa da Darcy. Em algum momento do livro, ele começou a ficar um pouco real demais. Não no sentido real-realidade, mas o do tipo real que eu só alguém com uma imaginação bem fértil e que vive a maior parte dos dias dentro do mundo imaginário que criou dentro da cabeça sabe. A Darcy desistiu da faculdade para se mudar para Nova Iorque para focar na edição do livro e para escrever o novo livro e, no meio dessa jornada, ela se envolve com uma pessoa da forma mais maravilhosa e real possível. Como eu disse no Twitter, esse livro é horrível para quem é escritor, quer morar em Nova Iorque e crusha fácil, então se vocês tem alguma dessas coisas é lei ler esse livro.

Por motivos astrológicos, climáticos, hormonais, extraoficiais, no mesmo instante em que eu estava lendo o vulgo livro da minha vida, um dos (agora conhecido como maior) crushes da minha vida voltaram - o sentimento, não a pessoa, a pessoa nunca saiu do lugar. Eu tive uma recaída e isso é bem normal quando se está na minha vida, porque eu nunca supero um crush, eu só dou um tempo no nosso relacionamento platônico inexistente. Quase dois meses depois, eu já meio que aceitei que esse crush não vai embora nunca mais, porque, mesmo que já tivesse passado por outras recaídas, eu nunca tive uma recaída com essa intensidade.

O livro fala sobre aceitação e relacionamentos de uma forma not a big deal, ela trata a relação das personagens de um jeito super real que eu não tinha lido ainda dentro do gênero, o que foi ótimo! No entanto, quando a recaída me bateu, a realidade da vida das personagens me bateu também com a mesma intensidade e várias questões caíram em cima de mim. Eu separo meus sentimentos em certos níveis para me ajudar a manter um controle, porque eles podem ser bem confusos e eu tenho um pouco de dificuldade de saber exatamente o que eu estou sentindo na hora e, no calor do momento, eu faço as piores coisas; e eu percebi que esses sentimentos agora caiam em uma caixinha que eu ainda não havia explorado at all, o que fez a recaída passar de excitante para assustador.

É estranho pensar que um livro pode ter causado tudo isso, e talvez ele nem tenho sido o motivo pelo qual tudo isso começou, mas eu gosto de pensar que sim (e mesmo que ele não tenho começado, ele deixou tudo pior/melhor). De uma certa forma, eu sempre busquei alguma validação para os meus sentimentos e, na maioria das vezes, eu buscava essa validação em outras pessoas, fazendo elas acreditarem naquilo que eu sentia sobre x coisa. Com "Além-mundos" e todos os sentimentos, eu achei a validação que eu estava procurando, em mim mesma. As situações do livro, os sentimentos da vida real, me ensinaram que tudo aquilo que eu pensei sentir são, de fato, sentimentos que eu posso sentir. No último mês, eu caí na real sobre tudo o que eu sou e, apesar de eu querer não ter caído tanto na real assim, foi muito bom ver e conhecer um lado novo meu de certa forma.

"Além-mundos" é um livro que já está na minha estante de honra, junto com todos os livrinhos do meu coração. Um livro que a conexão vai além do enredo, vai além das regras não existentes entre livro e leitor. Um livro que eu espero ter um capítulo especial na minha biografia quando tiver um 90 anos, falando como ele iniciou a melhor história de amor millennial (sem pressão, crush). Um livro que eu tenho a obrigação moral de esfregar na cara de todo mundo até todo mundo conhecer a lindeza que é este livro.

*
AMANHÃ, eu estarei publicando um conto novo antes de começar oficialmente a trabalhar no meu projeto do NaNoWriMo (sim, está chegando). Estou tentando não fazer um big deal sobre ele, mas é a primeira coisa que eu escrevo desde janeiro, então eu preciso de muito apoio nesse momento. Para saber direitinho quando o conto será publicado, podem me seguir no Twitter ou no Wattpad mesmo.

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