POR TRÁS DE UM NOME

julho 20, 2017

- Os gatos não têm nomes - respondeu.
- Não? - perguntou Coraline.
- Não - respondeu o gato. - Já vocês, pessoas, têm nomes. É por isso que não sabem quem são. Nós sabemos quem somos e por isso não precisamos de nomes.
(Coraline, de Neil Gaiman)


Vinte e um anos atrás, por algum motivo ainda desconhecido, os meus pais escolheram Tatiana para ser o meu nome. Em vinte e um anos, eu nunca me senti eu dentro desse nome. Certo dia, nós estávamos passeando e paramos em uma barraca que vendia chaveiros com o significado de nomes. Eu já estava acostumada a nunca encontrar algo com o meu nome ou a minha inicial, porque, por incrível que pareça, T é uma letra no esquecimento. Depois de alguns minutos procurando, eu finalmente achei um chaveiro com o meu nome e enquanto o da minha irmã dizia "branca, iluminada, poderosa, forte", o meu apenas dizia "feminino de Tatius". Eu era apenas a versão feminina de alguém.

Ao mesmo tempo em que eu nunca me senti completamente eu em meu próprio nome, eu nunca me senti eu dentro de outro nome. Eu acredito que tudo no universo, concreto e abstrato, tem uma energia e os nomes são algo importante porque eles são um rótulo que você carrega pelo resto da sua vida, é um rótulo que define quem você é. Nos onze anos de relacionamento com as redes sociais, eu tento me encontrar em algum nome ou apelido, tentando encontrar uma forma de me sentir dentro do rótulo que me foi dado ao nascer. Apelidos vieram e foram, pseudônimos chegaram e sumiram, derivações, acentos, letras estilizadas e letras maiúscula, letras de mais e letras de menos; algo para ser um pouco mais eu. Sem sucesso algum.

Nós estávamos aprendendo sobre a Revolução Russa e a Primeira Guerra Mundial na escola e a professora foi explicar sobre a família do czar Nicolau II, falando sobre Anastácia e suas irmãs Maria, Olga e Tatiana. Naquela tarde, após a aula, eu passei o dia pesquisando sobre Tatiana Nikolaevna Romanova; ela era completamente diferente do que eu sou, ela tinha a força necessária para carregar o peso que o nome Tatiana tem. Quando eu penso em meu nome, eu penso em algo forte, em uma guerreira, em alguém que tem poder; tudo o que eu não tenho nem sou.

Tatiana tem uma energia poderosa, que eu atribuo a sua influência russa, e as pessoas dizem que parece nome de guerreiras e de rainhas. Quando eu penso nesse nome, milhares de características aparecem na minha mente e nenhuma que seria atribuída a minha pessoa também. Em vinte e um anos, eu apenas aprendi a carregar esse rótulo maior que do o meu corpo, mesmo que eu ainda tenha que ler o meu nome em uma mensagem duas vezes ou alguém ter que me chamar mais de uma vez antes de eu olhar apenas para ter certeza de que aquela pessoa está falando comigo. Você tem certeza que está falando comigo? É como se a minha vida toda eu estive vivendo uma personagem e todas as suas características, ao invés das minhas próprias.

Com o passar dos anos, quando eu menciono a falta de contato com o meu nome, as pessoas se enchem de comentários positivos sobre ele, na tentativa de me convencer a amar essa parte de mim - e todas elas frustradas. Eu me sinto cada vez mais perdida a cada comentário sobre o que as pessoas acham sobre o meu nome, eu me sinto cada vez menos eu. Algumas vezes, eu tento me lembrar de que é apenas um nome, de que existe uma essência por trás disso e eu sou essa essência; no entanto, em um mundo onde rótulos são tudo, eu me encontro perdida no meio das incertezas de uma vida inteira.

*

Há algum tempo, eu ando pensando sobre o meu nome e outras coisas que influencia o meu trabalho e todas as outras coisas da vida. Eu resolvi mudar algumas redes sociais e, com ele, o meu nome que eu sempre assino as coisas por aí. O meu username no Twitter, InstagramPinterest e/ou no Wattpad mudaram, mas ainda continua a mesma conta, então se você já me segue nada vai mudar.

Algumas realidades estão mudando e ainda está um pouco difícil de me acostumar e pegar o ritmo, mas o semestre vai acabar a qualquer momento a partir de agora e estou lendo um livro que já estou morrendo de vontade de resenhar ou fazer algo com ele.

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