É UM LONGO CAMINHO ATÉ O TOPO

março 05, 2017

Esse post estará repleto de crises existenciais, choros, reclamações, problemas sem soluções e um fim sem conclusão.

Escrevo isso enquanto estou deitada de um jeito desconfortável no meu sofá em minha sala grande demais para mim na minha casa grande demais pra mim, com a televisão ligada apenas para ter algo para preencher o silêncio e os demônios não saírem debaixo de qualquer lugar em que eles estejam. Meus pulsos doem, porque esse é o trabalho deles durante os finais de semestres; a minha cabeça me dá uma pausa de suas dores, e eu sou imensamente grata por isso - por ter algo a menos a me preocupar.
Se passaram dois meses desde que o ano começou e o ano realmente ainda nem começou para mim. Abril o ano começa de vez, tão perto e tão longe. Mais de sessenta dias e eu não consigo achar algo bom o suficiente para iniciar isso aqui... E nem sei se esse é um bom começo. Todas as crises existenciais que eu já passei não parecem tão horríveis como esta e eu nem sei se isso é realmente uma crise existencial ou o que.
 
Algumas pessoas me dizem que isso é coisa da idade, que isso é normal de jovem, mas em outros momentos eu me pergunto se isso não era para ter ficado na adolescência. Talvez isso nunca vai passar, talvez só vai piorar. Será que eu aguento algo pior do que isso? Espero que sim, mas espero que isso seja o pior que ficará.
No carnaval, eu voltei pra minha cidade (não a cidade em que eu nasci, mas a cidade que eu passei a maior parte da minha vida) e nós resolvemos subir o morro que existe lá. Eu morei doze anos lá e nunca tive coragem de subir o morro; a cidade sempre levava as crianças no Dia das Crianças para conhecer o lugar, mas eu tenho medo de altura e só de imaginar em um lugar a 600 metros do chão firme faz minhas mãos tremerem. Dessa vez, eu respirei fundo e fui - a maior motivação foram as fotos com certeza.

Eu lembro quando eu era pequena e as pessoas contavam a história do Morro do Diabo, esse é o nome dele Parque Estadual Morro do Diabo. Uma das histórias que contavam era que no topo do Morro existia um trono feito de ossos dos brancos que foram lá para matar os índios da região, o trono do Diabo. Eu tinha fascinação por essa história; na estrada, de longe, eu via o contorno do Morro e imaginava o trono lá em cima e, se a minha vontade fosse um pouco maior, eu teria subido lá para ver com os meus próprios olhos. Outra história que os índios assustaram os brancos que exploraram a região e os brancos, com medo de enfrentá-los, inventaram a história de que havia um demônio do topo do morro apenas para não voltarem lá.

Nós subimos e eu não contei quantas horas foram até o topo. Eu não contei quantos passos foram, quantos minutos passaram, quantos mosquitos passaram, quanto líquido eu perdi, a quantidade de dor que eu senti nas coxas no dia posterior. Na verdade, eu não pensei em nada. Não consigo lembrar nada que eu pensei naquele momento, apenas o quão silencioso ali era e como eu desejava ver um animal, qualquer um. Depois, eu comecei a pensar em como eu era sortuda de estar ali e conseguir fazer parte daquela paisagem por alguns minutos e como eu queria poder ter respirado e guardado aquele momento em um potinho.


Esse foi o segundo momento pleno do ano - o primeiro foi no Rio de Janeiro no topo do Arpoador - e, nesse momentos, eu paro depois para pensar o que eu estou fazendo com a minha vida ou para onde eu quero ir. Eu listo todas as coisas tóxicas que eu quero me distanciar e não consigo, porque eu estou contaminada até os ossos. Eu penso em todas as pessoas que me fazem chorar e gritar, mas eu não consigo me afastar; em todas as pessoas que eu amo e que eu queria abraçar, mas não posso. Eu imagino todas as coisas que eu queria estar fazendo, mas não estou por causa das obrigações ou por causa de algo citado acima.

Eu me encontro viciada em fantasias. Admirada nesses momentos plenos e apenas imaginando a minha cena que nem em filmes quando a protagonista tem aquele momento de epifania e recebe de alguma fonte espiritual divina o segredo do universo. Pela segunda vez no ano, eu parei no topo do mundo e esperei por uma voz misteriosa dentro da minha cabeça me dizendo o que fazer, como resolver todos os meus problemas, porque eu não tenho ideia de qual é o próximo passo.

Eu me encontro dormindo e acordando entorpecida, porque em algum lugar dentro de mim acredita que isso é um sonho ou algo temporário e que algum dia eu vou acordar e finalmente estar no enredo de filme da sessão da tarde que sempre dá certo no final. Não sei ao certo o que eu desejo, mas algo que não seja esse limbo entre nada e lugar algum... Mas nos piores dias, eu nem ao certo se existe outro caminho além desse.

Enquanto eu ainda acordo com 2016 me assombrando, eu sonho com um 2017 salvador, com um ano em que algo bom acontecerá, com um horóscopo que finalmente fará sentido, com uma perspectiva de vida. Eu quero voltar a ter esperança de alguma coisa, mas é apenas isso que eu faço: querer; e nunca fazer. 
*

O conto de fevereiro do projeto que estou participando vai sair em algum momento em que a inspiração estiver aqui. O de março também.

A Tertúlia vai voltar dia 16 agora e o primeiro ciclo está maravilhoso. Se você já se inscreveu, fica de olho no que vai sair nos próximos dias e, se você ainda não se inscreveu, corre lá! 

Falta mais ou menos um mês para o meu aniversário e vai acontecer um post sobre isso como sempre e no meio tempo temos o Lollapalooza que também vai resultar em um post sobre. Resumindo, teoricamente, temos coisas boas chegando, mas nunca sabemos.

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