UM ANO INTEIRO EM UM FINAL DE SEMANA

setembro 06, 2016


A gente espera dois anos por aquele evento e quando ele finalmente chega, ele acaba em um piscar de olhos. Mas isso não significa que ele não valeu a pena - muito pelo contrário. Eu vi o tweet de alguém falando que a Bienal é assim: a gente vive em uma semana tudo o que a gente desejou viver o ano inteiro; e isso não podia ser mais verdade.

Nesse ano, eu fui na Bienal nos dois finais de semana. Encontrei autores maravilhosos, conheci amigas maravilhosas e gastei todo o meu dinheirinho maravilhoso. Se eu pudesse resumir tudo em uma palavra: maravilhoso.


No primeiro sábado (27), eu fui para "reconhecer território" e saber como estava a edição deste ano. Eu estou mais do que feliz de ver que a equipe da Bienal escutou todos os comentários da Bienal do Livro de 2014 e fez alguma coisa para mudar, porque eu estou presente na Bienal desde 2008 e ficaria muito triste de ver algo que eu amo e já virou tradição na minha vida desmoronar. A edição deste ano estava linda e organizada, fazendo toda a experiência melhor impossível.

No domingo (28), eu fui exclusivamente para ver a Ava Dellaira, a autora de "Cartas de amor aos mortos". A Ava foi grande responsável em me ajudar a encontrar a minha voz na minha escrita, o seu livro me ajudou a descobrir várias coisas sobre mim e eu queria estar lá quando ela viesse para o Brasil receber esse amor dos seus leitores. Ela é uma tão maravilhosa que eu me apaixonei mais ainda por ela.

Ava participou de uma palestra antes da sessão de autógrafo e falou sobre ídolos e a identificação entre fãs - o seu livro tem essa ligação, onde Laurel, a personagem principal, escreve cartas para pessoas que ela admira. Ela falou sobre como ela inscreveu o livro, suas inspirações, a relação das personagens, sobre abusos e como podemos lidar com a linha tênue entre a obsessão e a admiração de fã. Ela também contou sobre o seu novo livro que vai contar a história de uma mãe e filha, onde a história vai e volta no tempo para quando ambas tem dezessete anos; a história da mãe é uma história de amor e a história da filha é sobre descobertas - eu já amei.

A sessão de autógrafos foi perfeita. Eu queria ter escrito uma carta para ela, porque eu sou bem ruim em falar com pessoas que eu admiro - a ansiedade me trava totalmente -, mas não deu tempo. Chegando lá, ela foi super simpática e eu disse pra ela que eu havia escrito um livro e que "Cartas de amor aos mortos" me ajudou a achar minha voz e me inspirou muito, assim como ela também; imediatamente, a Ava olhou pra mim e disse animada "Você escreveu um livro?! Que demais! Estou tão orgulhosa!".


Eu sei que milhares de pessoas vão até ela e falam coisas que vão emocioná-la, mas saber que uma partezinha da minha felicidade está com ela é bom demais. Na fila, vendo várias pessoas indo lá abraçá-la e muitas delas contando histórias sobre como o livro dela mudou a vida delas, fazendo os olhos de Ava encher de lágrimas, resultando em mais abraços e vários "thank you", eu pensei no que significa ser escritora e se todos esses anos sonhando em ser escritora vale a pena. A verdade é que vale. A Bienal é a prova de que tudo vale a pena. A mistura de autores e leitores que a Bienal proporciona é insano, desde autores internacionais até os nacionais, dos best-sellers até os primeiros livros novinhos. Nada resume ou descreve na emoção de ter leitores e autores juntos em um único espaço e serem livres para demonstrar esse carinho nos dois caminhos.

A SA (e consequentemente a Tertúlia) marcou uma reunião para essa edição da Bienal. Nós nos conhecemos em novembro e queríamos um lugar para nos conhecermos pessoalmente, a Bienal do Livro foi o primeiro lugar que pensamos. No primeiro sábado (27), eu encontrei a Dani e foi maravilhoso; no segundo sábado (03) conheci a Giulia depois de três anos conversando através do Twitter! E no domingo (04) foi o dia do encontro oficial da Tertúlia/SA em que eu vi a Laís e a Gih pela primeira vez. A gente já fez textos em todos os lugares possíveis e posso ter certeza que a qualquer momento mais lágrimas vão surgir aqui.


Eu sempre falo que amizades são muito importantes para mim; em meio a tanta dificuldade em me comunicar com as pessoas da ~vida real~, conversar com as pessoas online é bem mais fácil. Quase um ano depois, a gente já tem toda essa ligação e as nossas metas e jeitos tão iguais e tão diferentes fez a nossa amizade ser um acréscimo e um aprendizado. Quando eu as vi ali, toda essa dificuldade de falar com as pessoas apareceu, mas logo a conversa e as risadas que antes eram virtuais começaram a tomar som e fiquei confortável novamente. No final do evento, parecia que sempre estive ao lado delas ao vivo.

Com certeza, essa Bienal marcou muito. Com tudo o que está acontecendo atualmente na minha vida, ver que tradições como a Bienal continuam e mesmo assim o meu olhar para ela mudou muito. Os planos basicamente continuam os mesmos: sair do lado de leitora e ir para o lado autora da Bienal, mas eu sinto que finalmente estou preparada para isso e dando o foco necessário para isso. Aqui eu dou um pouco de crédito para a SA de novo: antes, eu tinha todos esses sonhos sozinha, e agora eu tenho pessoas com metas parecidas com a minha e mesmo que não seja exatamente o mesmo que eu quero, elas estão lá para me apoiar e me dar uma bronca quando precisa, para me mostrar o que está errado e o que está certo, como fazer as coisas darem certo. Eu não sei se eu teria conseguido terminar metade das coisas que eu fiz esse ano se não fosse por elas estarem se reunindo para fazer sprints ou simplesmente pela minha vontade de terminar algo apenas para correr no grupo e mostrar para elas.


Sobre livros, eu fechei a Bienal com um total de catorze livros, onde oito são nacionais. Consegui autógrafo da Bárbara Morais nos três livros da Trilogia Anômalos e comprei duas HQs nacionais, Bear - Volume 2 e 3, que eu comecei a colecionar na Bienal de 2014. Eu não consegui tirar foto dos livros, porque a greve da faculdade finalmente terminou e eu tive que sair da Bienal no domingo (04) e pegar o ônibus de volta para Marília algumas horas depois.

*

E é assim toda chorosa e emocional que eu termino esse post especial de Bienal. Só para avisar que nas próximas semanas, o blog vai ficar parado um pouco para eu me ajeitar nessa volta às aulas louco e vou aproveitar para fazer uma (A) mudança no blog, mas eu prometo que não vai ser muito tempo! Fique ligado na page do facebook e no meu twitter para saber quando terá post novo etc - que eu acho que ainda vai ter um post semana que vem antes desse hiatus.

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