ELEGIA DA TORMENTA

agosto 15, 2016



No meio de tanta felicidade olímpica, eu sinto tudo menos felicidade. É um sentimento estranho... ou vários deles. Sinto como se fosse aquela época de novo, aquela época em que eu tenho que ir embora, mas, desta vez, eu não quero.
Eu sento na minha cadeira de frente para o computador e me loto de trabalho. Textos, livros, pesquisas. Qualquer coisa para distrair desse sentimento. A playlist no Spotify não sustenta mais os pensamentos animadores e aquela batida que antes trazia sorriso apenas está me deprimindo mais. Chegou a hora.
Eu me vejo afastando de tudo. Eu me pego pensando se alguém ainda me quer por perto. Eu me sinto como uma persona non grata em todos lugares que antes eu me sentia segura. Tenho medo de falar com as pessoas que até um dia atrás eu confiava para tudo. Todas aquelas vozes dizem coisas que eu não quero ouvir, porque eu sei que elas mentem - mas e se elas estão falando a verdade?
Eu me pego preenchendo meus dias cada vez mais de paredes e colinas em forma de trabalho e passatempos inúteis. A partir de agora, olho para os dois lados antes de fazer um movimento; piso com cuidado por onde ando; fico calada e respondo bruscamente a qualquer comentário. Fico longe de lugares que antes eram confortáveis, abaixo a cabeça para quem está ali e engulo as lágrimas que ameaçavam a sair quando o silêncio preenche o local.
Aquele sentimento de que não sou mais bem-vinda ali é estrangulante. Os olhares imaginários das pessoas me encarando e me julgando se tornam cada vez mais constantes. Os pensamentos malignos ocupam os meus pensamentos. A opinião alheia é importante. As aparências importam. Como eu tenho que me portar. O que eu tenho que falar. O que eu não posso falar. Meu sorriso. Meu assentir com a cabeça. A maneira como eu digito. Os emojis que eu uso.
Cada grito e lágrima que eu engulo é um tapa.
É como se todos estivessem indo em frente e eu ficando atrás. E ninguém se importa. Ninguém me espera. E cada dia vai ficando mais frio e a chuva fina toca gentilmente meu rosto, queimando cada centímetro da minha pele.
Nos meus sonhos, eu me vejo na escuridão. Sempre sozinha. Será que elas estão falando a verdade?
No final, estou chega de hematomas que nada vai conseguir esconder.
Será que chegou a hora?

Por favor, não.

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