QUEM EU SOU E NUNCA SEREI

maio 25, 2016

Esses dias, eu estava passando a minha hora semanal - porque é o máximo de tempo que eu consigo aguentar sem odiar o mundo - no Facebook e no meu do meu feed tinha uma postagem de uma pessoa que eu estudei no ensino fundamental, quando eu ainda morava no interior. Vendo aquela foto, eu acabei entrando no perfil da pessoa e vendo fotos antigas de todos os meus colegas e amigos daquela época, pensando em como tudo aquilo foi como uma outra vida mas, ao mesmo tempo, foi há tão pouco tempo.
Faz oito anos que eu mudei pra São Paulo e tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou, que eu fiquei pensando: o que teria acontecido se eu tivesse ficado lá? Quem eu seria hoje? Ok, pode ser algo bem idiota, porque todo mundo fala que se tiver que ser, será, não importa, o destino já foi traçado. E eu acredito muito em destino e etc., porém, às vezes, eu penso que a minha vida seria bem diferente se eu não tivesse me mudado do nada para São Paulo aos doze anos de idade.
Eu só fui me interessar por escrever quando eu tinha doze anos e eu não tinha ninguém pra conversar. Eu só fui pegar um livro para ler quando eu tinha treze anos e não queria ter que aguentar todos aqueles olhares no intervalo de todas as pessoas vendo que eu estava sozinha. A minha adolescência toda foi em torno dos livros e isso definiu várias coisas da minha vida: quem eu  queria ser, o que eu queria ser, etc. 
Quando eu tinha mais ou menos oito anos, eu comecei a dançar e por muito tempo eu queria ser uma bailarina, eu estava disposta a ser uma bailarina profissional. Foram apenas quatro anos daquela forma, mas eu tinha a sensação de que aquilo seria algo certo. Eu tinha vários amigos e me sentia maravilhosamente bem com quem eu era, porque eu era uma criança e não pensava muito sobre vários tópicos que hoje eu me preocupo diariamente. Eram pessoas que eu conhecia a minha vida toda e parecia que cada pedaço da minha vida estava certa ali naquele lugar, exatamente tudo.
Assim que eu me mudei para São Paulo, tudo aquilo desmoronou e eu me senti perdida. Onde eu estava? Quem eram aquelas pessoas? Por que eu estava ali? O que havia acontecido com a minha vida? Eu tive que aprender a construir uma vida nova e foi bem difícil e durou muito tempo para eu gostar dessa nova vida (eu estava divagando sobre isso no twitter). Eu tenho várias cicatrizes dessa adaptação e talvez eu nunca vá me recuperar dela, mas eu também não posso dizer que me arrependo do que aconteceu; hoje eu gosto muito da minha vida para dizer que não quero mudá-la como eu sempre dizia lá atrás - mas eu também não posso dizer que não tenho curiosidade de saber quem eu teria sido.
Muitas coisas muito boas estão acontecendo comigo ultimamente e eu aprendi a apenas aceitar essas coisas, sem tentar pensar demais (mesmo que seja muito difícil) sobre elas ou ser muito pessimista. A vida é bem isso mesmo, cheia de surpresas, tristezas, felicidades e alegrias; a gente tem que saber viver dentro de todos esses momentos e continuar dentro das opções que nos são dadas.
Talvez eu estaria fazendo uma faculdade diferente, talvez eu tivesse estudado para ser uma bailarina contemporânea como eu queria, talvez eu tivesse mudado no último minuto e estivesse estudando para ser uma professora como foi meu sonho por algum tempo. Talvez eu tivesse me apaixonado mais tempo e descobriria esses sentimentos mais cedo do que eu pensava. Talvez os livros e a literatura desse um jeito de entrar na minha vida para que a linha do destino tivesse se ajeitado no fim de tudo.
Eu nunca saberei e essa é a graça da vida. O bom é que eu tenho uma imaginação fértil o suficiente para eu me imaginar - e escrever - dimensões alternativas, onde eu sou tudo e nada ao mesmo tempo.

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