QUANDO NADA ESTÁ NO LUGAR

abril 15, 2016


O que fazer quando nada da vida está no lugar que deveria estar? A gente culpa o inferno astral.
A minha vida universitária é um pouco caótica desde o final de 2014. O plano da minha vida nunca foi fazer um vestibular ou uma faculdade, porque eu nunca fui a favor do modo educacional tradicional do nosso país e nunca me vi dentro de nenhuma profissão assim. Porém, por pressão da vida, eu tive que tentar me achar dentro de alguma profissão que tivesse faculdade; a minha escolha foi Estudos Literários que é oferecido apenas pela UNICAMP aqui no Brasil e eu não consegui passar. Eu tinha, felizmente, uma segunda opção que foi o curso que eu estou cursando agora: Biblioteconomia.
O problema todo que é exatamente o motivo pelo qual eu estou fazendo este post começa quando eu paro e me pergunto: eu estou fazendo o que é certo para mim?
Eu adoro conhecer coisas novas, estudar e pensar que eu posso ter todo o conhecimento que eu quiser comigo apenas abrindo um livro ou na prática ou vendo um filme. Eu gosto de me sentir inteligente e saber que eu posso fazer o melhor que eu posso em um trabalho - eu me acho uma boa aluna. Eu apenas não sei se eu estou onde eu quero estar.
Escrever é algo que eu amo e que eu quero passar o resto da minha vida fazendo. Ser escritora é a minha profissão. Mas eu acho que a faculdade está me impedindo de focar nisso. Eu entrei na faculdade para dois motivos: 1) sair da casa dos meus pais; e 2) deixar os meus pais orgulhosos de mim. Quando eu, pela primeira vez, admiti os verdadeiros motivos pelo qual eu havia aceitado mudar de cidade e entrar em uma faculdade que eu estava com 90% de dúvida, eu fiquei realmente assustada com o meu futuro e o presente.
Eu sempre falo sobre como ser independente tem sido maravilhoso para mim, mas eu não sou independente de verdade: eu ainda sou sustentada pelos meus pais. Depois de tudo, eu não me sinto no direito de abandonar tudo o que eu criei nesses dois anos na faculdade. Eu não me sinto no direito de dizer aos meus pais que eu quero jogar todo o dinheiro que eles investiram em mim fora para viver um sonho que eles já disseram tantas vezes ser impossível - mesmo com apenas um olhar ou uma risada sarcástica.
No final do ano passado, eu me fiz aceitar o meu futuro. Aceitar que os próximos anos não serão meus, eles serão dos meus pais e de qualquer ser humano que ache que um diploma é mais importante do que a felicidade de uma pessoa. Eu posso amar o meu curso em alguns dias, mas isso não significa que eu estou confortável com o que ele me oferece - o currículo de Biblioteconomia é realmente maravilhoso e amplo e poderia ser o meu sonho na teoria, se não existisse uma voz dentro de mim chorando todos os dias que eu me levanto pelas manhãs. Eu aceitei que a minha vida só irá começar depois da minha formatura, onde eu farei todas as coisas que eu quiser e tentarei ser realmente independente. Apesar de que tudo o que eu quero é dormir.
Eu também não posso deixar tudo isso nas costas dos meus pais. Eu fiz uma escolha no dia alguns anos atrás, eu tenho tanta culpa quanto qualquer pessoa que soprou uma opinião para a minha pessoa confusa lá atrás. Eu tinha medo do futuro tanto quanto eu tenho hoje e é um medo que sempre irá me acompanhar. Eu fiz uma escolha que atualmente eu estou me arrependendo, mas eu não sei o que teria acontecido comigo se eu tivesse feito diferente.
Essa é uma das lições da vida quando a gente vira gente grande. As decisões que tu faz pra vida não são decisões que tu pode chorar pra mãe e mudar; são decisões importantes e responsáveis que determinaram toda a sua vida.
Nesse momento, eu estou entrando para um programa de bolsa de iniciação científica da faculdade. Eu estou fazendo um compromisso que todos estão me parabenizando, mas que eu não tenho ideia se é bom para mim - é um compromisso de, no mínimo, um ano e que eu não posso abandonar. O final do semestre está chegando e eu estou com medo - no semestre passado, o final do semestre foi o pior momento da minha vida que eu pensei que eu tivesse tido algum tipo de recaída e sinto que esse semestre será igual. Tem dias, como hoje, em que eu só quero chegar em casa e dormir, mas eu não posso, pois tenho responsabilidades. Tem dias em que eu só quero ter férias ou voltar para a casa dos meus pais e abandonar as minhas responsabilidades como uma covarde. Alguns dias são bons, eu admito. Tem dias em que eu sinto que eu sou capaz de tudo.
A cada dia que passa, eu tenho mais certeza de que o mundo é mais cruel do que eu pensava cinco segundos atrás; eu tenho mais certeza de que eu não tenho forças para aguentar a pressão da sociedade e me questiono se eu vou aguentar o futuro quando eu estiver um pouco mais adulta, fora da faculdade; eu tenho mais consciência de que tudo está se acumulando em mim e eu não faço a menor ideia do que fazer com isso e de como lidar.
Nada está no lugar. Então, eu culpo o meu mapa astral.

1 comentários

  1. Acabei de chegar por aqui e já me deparei com esse seu desabafo que, com as minhas sinceras desculpas, eu achei maravilhoso!
    Você conseguiu captar também as minhas incertezas e colocar em palavras. E embora eu tenha ficado surpresa por isso, já me sinto meio mal por você. Portanto, espero que essa fase passe logo. Afinal, sabemos que inferno astral não é para sempre, mas enquanto ele dura, vou estar torcendo verdadeiramente por você!

    Aguarde mais visitas minhas :)
    xoxo
    Fora do Contexto

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