O PESO DE UMA HISTÓRIA

março 03, 2016

Eu estou para escrever este post tem quase um mês e eu não sei direito porque ele é tão difícil de escrever, todas as palavras estão na minha mente e eu só preciso digitá-los, mas, ao mesmo tempo, eu sei que eles também tem o seu peso. É sobre isso que vamos falar: o peso de uma história.
No último mês, eu terminei de escrever Querida Kat, a minha primeira novela. Assim que eu escrevi a última palavra, algo me atingiu; foi como uma sensação de que aquilo não me pertencia mais, todas aquelas palavras eram do mundo e não apenas minha. Foi quando eu tive a certeza de que ela estava pronta. Ao mesmo tempo, eu sentia uma dor no estômago que me deixava desconfortável e eu senti na primeira vez que alguém leu essa história.
Uma história não é apenas uma história, ela carrega sempre mais do que palavras. Nós escrevemos sobre aquilo que sentimos, sobre aquilo que experimentamos, sobre aquilo que sonhamos; não são apenas palavras em uma papel.
Eu sempre gostei de escrever história para jovens adultos, pois nós temos que discutir sobre assuntos polêmicos, sobre situações da vida que não passamos na infância ou já superamos na vida adulta, sobre sentimentos e decisões que tomamos. Eu sempre admirei livros dessa faixa e principalmente contemporâneos e eu queria passar as minhas mensagens para as pessoas através de personagens e um enredo bem mais interessante do que a minha vida real.
A mensagens que essas histórias carregam são enormes e cada leitor vai interpretá-las de uma forma. Em Querida Kat, eu escrevo sobre um amor fraterno, sobre um laço que parece quebrado, mas aguenta a todas as tempestades da vida; e isso não é um assunto tão fácil quanto parece. Ele tem um peso. O peso de mostrar que esse amor é mais forte do que qualquer outro, o peso de ser fiel não importa o que aconteça, o da confiança e o peso de sempre fazer o que o seu instinto te diz.
Será que eu sou a pessoa mais correta de abordar esse assunto?, foi o que eu pensei quando li o original antes de enviar para as minhas beta. Será que as pessoas vão entender tudo o que eu quero passar? Eu estou passando a mensagem certa? Talvez seja para isso que as beta readers servem - para te guiar -, mas eu sempre fico insegura com essas coisas, principalmente porque eu vou me conectar com jovens da minha idade ou mais novos e eu preciso saber se estou dialogando corretamente com eles e passando a mensagem correta.
Agora, em abril, eu vou voltar com Kaia & Valentina, o meu projeto do NaNoWriMo de 2015, no Camp NaNoWriMo e eu fico pensando se terei o que precisa para contar essa história, se eu sou a pessoa mais indicada para escrever sobre esse outro tipo de amor, sobre esse tipo de vida e de personalidades e sobre essas pessoas que para mim são mais reais do que tudo. Eu serei capaz de representar as pessoas da vida real nessa obra? Será que eles irão se ver nas minhas frases, nas minhas personagens, nas minhas vírgulas?
Eu não posso escrever algumas palavras e tudo bem, eu preciso me sentir capaz de carregar o peso dessa história pelo resto da minha vida. O peso de representar as pessoas, o peso de discutir temas polêmicos ou até tabus, o peso de ter pessoas dizendo que o que eu escrevi é muito bom ou muito ruim, o peso de viver com essas angústias e desconfortos para seguir firme e escrever aquilo que eu sinto.

1 comentários

  1. " Nós escrevemos sobre aquilo que sentimos, sobre aquilo que experimentamos, sobre aquilo que sonhamos; não são apenas palavras em uma papel." VOU COLAR NA TESTA!
    Que texto lindo!
    Tatii sou suspeita para falar de "Querida Kat", saiba que fez um excelente trabalho não duvido que você tenha alcançado seu objetivo, e que vai se superar com Kaia & Valentina. Já estou ansiosa.
    Parabéns!

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