COMO RENOVAR A ALMA

março 27, 2016

Vamos falar sobre experiências. Eu sempre gosto de dizer que aqui eu falo sobre as minhas experiências, mas eu não tenho muita coisa para compartilhar sobre a minha vida - que é basicamente: casa e faculdade e casa. No entanto, hoje, eu tenho algo muito maravilhoso para contar para qualquer um que visite este espaço: o Lollapalooza.
Existem duas coisas que eu sou apaixonada e faço sempre que puder: viajar e shows - o segundo mais que o primeiro. Na minha vida, eu já fui em três shows e dois festivais e assisti um total de dez artistas. Sempre que eu tenho a oportunidade de ver alguém que eu gosto, eu vou, porque são experiências únicas e inesquecíveis.
Essa foi a minha segunda vez no festival - a primeira em 2014 - e eu achei digna de escrever um post, pois foram dois dias loucos e maravilhoso. Tudo começou lá em 2014 mesmo, quando uma amiga disse que queria ir no festival depois que eu contei como foi a minha primeira vez e a gente, então, foi planejando para ir em 2016, porque em 2015 já não dava mais. Eu não tinha a pretensão de ver nada especificamente, eu só queria ver e curtir o Lollapalooza, mas então quando eles divulgaram os nomes eu vi que a minha pessoa favorita de todo o universo estaria lá: a Halsey.
No primeiro dia do festival, nós planejamos ver a Halsey e o Mumford & Sons - eu queria ver o Of Monsters and Men também, porém eu queria muito ficar na grade da Halsey e o show deles seria antes do da Halsey, então preferi perder o show. No segundo dia, nós iríamos ver o show da Karol Conka, do Walk the Moon e do Twenty One Pilots - outro amor da minha vida.
Tudo começou no dia 12/03, quando planejamos acordar às 6AM para uma viagem de duas horas até o local do festival - o Autódromo de Interlagos. O bom de tudo era que o palco da Halsey era o mais perto do portão, então chegaríamos lá bem rápido depois de ficar duas horas de pé na fila. Felizmente, eu consegui ficar na grade, porém apareceu outro obstáculo que eu me preparei meses para superar: ficar sete horas de pé no sol até o show da Halsey - sim, chegamos às 9AM, o portão abriu às 11AM e o show dela era às 6PM. Escutamos bandas horríveis, algumas boas e outras que dava vontade de dormir, mas sempre focando que tudo seria recompensado. E foi.
Eu conheci a Halsey em junho do ano passado em um tempo em que eu tava entediada comigo mesma e tentando aceitar algumas coisas e ela foi a pessoa certa para me fazer aceitar tudo isso que eu chamo de 'eu'. Em seis meses que eu conheci seu trabalho, ela anunciou o show no Brasil e eu fiquei meses ansiosa para esse dia chegar e foi o melhor dia. Toda a emoção que eu senti durante o show foi maravilhoso. Eu tenho sempre essa sensação quando estou em um show: aquele momento em que tu sente que é apenas você e o seu artista/banda, quando tu nem sabe que música ele está cantando, mas você está cantando lá também todas as letras perfeitamente no mesmo ritmo, quando todas aquelas pessoas ao seu lado que você nem sabia que existiam estão sorrindo para você e chorando e cantando junto. Eu não sou a melhor pessoa para se conectar com outras pessoas, mas em shows é a melhor forma de conectar com as pessoas e saber que existem pessoas que gostam daquilo que você acha que está sozinha.
A Halsey tem uma tradição: na música Is There Somewhere, ela vai até a grade da pista e sobe na grande e as pessoas seguram ela e ela canta lindamente a última parte da música. Essa era a razão pelo qual eu queria estar na grade - e para tentar beijar ela, eu confesso. Foi aí que o melhor de tudo aconteceu e o pior: eu fiquei vinte centímetros da pessoa que eu mais sou apaixonada nesse momento, eu chorei e gritei tentando alcançá-la - eu não consegui tocá-la, mas foi o mais próximo que eu já fiquei de alguém que eu admiro tanto. O ruim disso tudo é que eu chorei tanto que eu passei mal, porque eu tenho medo de multidões e as pessoas se apertaram tanto para tocá-la que eu fiquei tonta e tive que ir para fundo; o que me fez perder a minha música favorita Hurricane.
O resto do show, eu tive que assistir do fundo e com direito a surto no final do show com direito a sentar no chão e soluçar de tanto chorar sem acreditar que eu tinha ficado tão perto assim dela. Eu sou bem estranha em shows, meu sistema toda trava e dá tilt. Eu não sou eu e talvez seja exatamente isso que eu mais amo em ir em shows.
Um vídeo publicado por tatii (@itatiialves) em
Depois do show da Halsey, nós corremos até o show do Mumford & Sons. O palco deles estava lotado e tivemos que ficar no fundo - até porque eu ainda estava mal do último show. O que eu mais gosto do Lollapalooza é como as pessoas são. No show do Mumford e no do Walk the Moon, no domingo, eu tive a mesma sensação: as pessoas sentadas na grama e curtindo o show sem brigas e sem se estressar. Lógico que isso lá no fundo, porque lá na frente as pessoas estão em um Jogos Vorazes para saber quem fica mais perto da grade; porém lá atrás as pessoas querem curtir o festival e aproveitar aquele final de semana e é uma vibe maravilhosa que entra nos primeiros lugares do que eu amo nesse festival e porque eu sempre quero voltar no próximo ano.
No domingo, nós resolvemos ir um pouco mais tarde e acabamos economizando tempo e chegamos quase na mesma hora que no sábado. Eu havia prometido para a minha amiga que nunca mais iria tentar ficar na grade - porque eu traumatizei de verdade - e o primeiro show iria acontecer só ao 12AM, então fomos andar para ver o que tinha no festival além dos shows. O primeiro show que fomos ver era da Karol Conka, um show nacional para compensar e foi incrível. Eu tenho tentado me livrar dos preconceitos musical e é bem libertador, porque as pessoas olham feio para você quando diz que gosta de funk ou algo parecido nacional e você sorri e diz "qual é o problema?".
Depois tínhamos o show do Walk the Moon, que foi a dose teen do festival e logo depois era o show dos meus amores Twenty One Pilots. Eu conheci eles junto com a Halsey, porque o Josh - baterista da banda - e a Halsey são bastante amigos e eu me apaixonei igualmente por esses meninos. O show deles é bem diferente e libertador igual. Eu fiquei no fundo porque eu tinha certeza de que iria dançar e pular e o fundo é o melhor lugar para ambos. A cada letra da música, eu gritava e cantava com eles e com todo mundo que estava lá e foi a melhor sensação do mundo. No show da Halsey, eu queria apreciar ela e tentar mostrar o quanto eu amava tudo o que ela fazia por mim todos os dias, mas no show do Twenty One Pilots, eu queria tirar todo aquele peso de mim e liberar com as palavras de cada verso da música e me permitir ser quem eu sou. Naquele momento do show, eu me desliguei do mundo e era somente eu e aquelas duas pessoas no palco. Eu e a música.
Foi assim que eu terminei o meu Lollapalooza e o final de semana. Tirando tudo aquilo do meu peito e gritando junto com a música, porque não tem nada melhor do que sentir e se expressar com música. Eu tenho uma relação recente, porém maravilhosa com o Lolla e é algo que eu quero que se transforme em tradição. Vai além da música, são as pessoas, os espaços, as comidas, o entretenimento, a emoção e a experiência de viver tudo aquilo. Renova a alma.

1 comentários

  1. Ai quero. Quero sim. Todas essas vibes boas, aprece tão maravilhoso!
    O post tá tão lindo, tatii

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