WELCOME TO THE DARK SIDE OF REWRITING

fevereiro 04, 2016

OK, ROUND #3
O meu último diário de escrita foi um lost total - eu estava tentando escrever um projeto que hoje já está engavetado e adiado para 2017. Em 2016, eu planejei meu calendário de escrita para que nada dê errado e decidi registrar tudo aqui no Diário de Escrita. Depois do NaNoWriMo, eu fiquei bem focada naquilo que eu queria escrever e as amigas do SA (o grupo no telegram com as meninas que conheci no NaNoWriMo e, que agora, são as melhores pessoas da vida) estão me ajudando bastante a ver o que eu quero passar para pessoas e o que eu quero - na verdade, são elas que estou me deixando focada para escrever, caso contrário, eu estaria vendo Netflix nesse momento.
O projeto que eu estou mexendo agora é Querida Kat e, sim, eu havia dito que tinha finalizado ele e até fiz um post aqui no blog para comemorar. A questão é: assim que terminou novembro, eu abri o arquivo de QK e fui ler aquilo que eu tinha escrito onze meses atrás; para a minha surpresa, eu fiquei muito insatisfeita com o que eu li. Eu acabei tendo a conversa mais franca possível comigo mesma e decidi que eu queria reescrever a história toda e que poderia fazê-la melhor. E é isso que vamos falar hoje.
Escrever uma história não é somente sentar na bunda na cadeira na frente do computador e escrever; não é escrever 50K palavras e fechar o arquivo e dizer "está pronto"; não é pegar diálogos e uma ideia e escrever com o calor do momento. Escrever é uma arte e toda a arte precisa de paciência e aprimoramento. No NaNoWriMo, por exemplo, escrever 50K é mais fácil (não no sentido de fácil fácil, mas que sem tanta preocupação com os detalhes), porque o lema do projeto é: Quantidade primeiro e qualidade depois; ou seja, aquele mês só serve para você tirar aquela ideia que ficou matutando na sua cabeça por meses e colocá-la no papel. Nada mais que isso. Para você escrever uma história completa, pronta para ser enviado para uma editora, o tempo é completamente diferente.
A primeira coisa que você tem que ter em mente é que não existe fórmula perfeita. Existem escritores que demoram anos para escrever um livro e outros que demoram meses para escrever, mas todos demoraram anos procurando qual era a sua própria fórmula. Todo escritor tem a sua fórmula que pode ser igual a de um colega ou não. No SA, nós somos um grupo de meninas que cada uma escreve um gênero diferente e isso já é legal o suficiente, mas cada uma de nós temos o nosso tempo para completar nossas histórias. Recentemente, nós estávamos falando sobre novos começos, porque a Gih estava com problemas na escrita dela sobre começar uma história e nós começamos a falar sobre como decidimos o começo das nossas, sendo que cada história começava de uma forma diferente e de um ponto diferente, mas todos completos nos seus enredos. O que faz a escrita uma coisa linda, é o fato de não ter um manual de "Como escrever uma ficção" (até tem, mas nada como regra) e o escritor vai saber quando está na hora.
Quando eu comecei a escrever Querida Kat lá em 2013, o começo foi a parte mais fácil para mim. Eu sabia exatamente o que eu queria contar e como eu queria que o leitor visse as minhas personagens, porém eu estava tão apegada ao começo que o meio do romance saiu do jeito totalmente contrário ao que eu esperava. Depois de amadurecer a ideia, longe dele, eu fui chegando em conclusões sobre a história que eu talvez nem imaginava que existia naquela época. E esse é o próximo ponto.
Toda história tem a sua vez. Eu li um post da Iris Figueiredo, onde ela diz que a melhor coisa que um autor faz depois de escrever um romance é tirar férias dele; ficar um tempo longe do texto e depois voltar e ler o que você de uma semana atrás escreveu. Talvez você vai amar, talvez você vai odiar. O importante é você amadurecer aquela ideia. Se eu tivesse registrado Querida Kat no começo de 2015 como eu tinha prometido, talvez seria a coisa que eu mais me arrependeria no mundo, porque a história não estava pronta para ser compartilhada.
Se a sua história não anda, não tem problema. Assim como os nossos personagens criam vida, a história também tem vontade própria e ela está dizendo que ela não está pronta para ser escrita ainda. É o que estou vendo acontecer com a Giulia e MUV (o livro dela), desde que eu a conheço, ela está trabalhando nesse livro e agora eu vejo ela dizendo que está sentindo a história finalmente fluir e as coisas acontecendo do jeito que deveria ser.
Eu sinto que eu cheguei no ponto onde eu posso ser cem por cento sincera com as minhas histórias. O escritor tem que saber dar tudo dele para a história (e isso tem várias interpretações) e eu cheguei à conclusão de que antes eu me forçava para escrever o que eu achava que as pessoas iriam gostar de ler e não a mensagem eu queria passar naquele enredo. Quando você sente essa conexão com as personagens, a história e tudo que envolve esse processo criativo, você tem a sensação de que tudo é possível e o melhor acontece: a história se move sozinha. O que me anima para escrever e terminar essa história é a certeza de que as minhas personagens estão gritando para mim: está na hora.

2 comentários

  1. "Escrever uma história não é somente sentar na bunda na cadeira na frente do computador e escrever" A frase mais verdadeira que já li na minha vida.
    Ok, é a primeira vez que comento aqui, mas OUUU tatii me deixa colocar isso na testa?? Por favor! Que texto mais perfeito é esse? Falou tudo. Eu vou reler esse texto milhares de vezes por que ele é incrível!

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  2. Esse fim do post foi um tiro na minha cara.
    É bem complicado encontrar seu caminho em uma história. Mais complicado ainda é não se culpar por ter levado muito tempo para achar. Mas eu estou conseguindo e eu estou feliz por finalmente ter encontrado meu momento na história.
    Eu nem consigo começar a descrever o quanto eu to animada pra QK. Que venha o tempo da história e o tempo de eu me apaixonar completamente por ela.

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