VAMOS FALAR SOBRE: FEMINISMO

fevereiro 26, 2016

Vamos começar esse post falando que tudo o que será dito aqui são experiências, opiniões pessoais e um conhecimento bem limitado das coisas, pois ninguém nasce sabendo de nada. Esclarecido isso, hoje vamos conversar sobre como eu me tornei feminista, ou melhor, como eu descobri que sou feminista.
Eu tenho a teoria que ninguém nasce machista, mas ela é como um vírus que se espalha pelo ar e você só percebe que pegou pelos sintomas e, no caso do machismo, ele está na nossa sociedade é tanto tempo que a maioria das pessoas nem percebe que estão contagiada por aquilo. Outra coisa que eu acredito é: o feminismo é a cura disso.
Quando eu tinha seis anos, eu cortei o meu cabelo em um pixie cut e a primeira coisa que eu escutei na rua foi "você parece um menino". Quando eu tinha dez anos, eu furei as minhas orelhas pela primeira e não gostei, então decidi deixar o furo fechar e os adultos então falavam (e continuam falando) "mas uma menina tão bonita tem que usar brincos". Quando eu tinha onze anos, meus pelos estavam crescendo e então me falaram "meninas bonitas não tem pelos". Quando eu tinha treze anos, me falaram que se você não tivesse sido beijada ainda era porque os meninos te achavam feia e então, por isso, eu era feia. Quando eu tinha quatorze anos, me disseram "meninas bonitas usam maquiagens, porque você não usa?". Quando eu tinha quinze anos, na escola, falaram que boas meninas só transavam depois do casamento e que as que faziam antes disso eram mulheres fáceis. Quando eu disse milhares de vezes nesses anos todos que eu não queria casar ou ter filho, todo mundo riu de mim e disse "você ainda vai mudar de ideia, não se preocupe".
Talvez você não perceba, mas todas essas atitudes foram atitudes machistas vindas de homens e reproduzidas por mulheres. Isso está na nossa sociedade faz tanto tempo que todo mundo acha que é normal, mas não é e é por isso que precisamos do feminismo. O feminismo vai além de questões sobre homens ou aborto como vemos na mídia - talvez homem em si seja a última preocupação do movimento.
Eu quero focar no feminismo interseccional, que é a minha vertente. O feminismo interseccional engloba todas as mulheres e, por mais que isso seja meio óbvio, ele auxilia mulheres cis e trans, negras, latinas, brancas e outras raças, etnia e condição financeira. Nessa vertente é acreditada que não apenas mulheres tem que ter todos os direitos, mas todas as mulheres incluídas no citado acima. Veja só, entre homem e mulher, a mulher é quem sai por baixo; porém dentro das mulheres, a mulher negra sofre muito mais do que uma mulher branca e isso nós temos que mudar. Nós temos que dar espaço para todas as mulheres falarem, exatamente todas.
Mas vamos voltar para como eu descobri que era feminista. Eu estava assistindo um vídeo da Lully de Verdade e ela fez cinco tópicos sobre você ser feminista e, na época, eu ainda era contra algumas coisas que ela citou, mas aquilo me deixou pensando muito sobre a vida. Algumas semanas depois, eu conheci a Vickie do Chiclete Violeta - um canal literário - e ela é mais nova do que eu, mas sabe muito mais do que eu sobre feminismo e tenho que dizer que ela foi responsável por me ajudar indiretamente a desconstruir várias coisas em mim; e ela fez um vídeo com um teste para saber se você é feminista. Quando eu fiz o teste, eu percebi que eu era sim feminista, mas o que aquilo significava? Depois de assistir aqueles dois vídeos, eu passei em uma jornada de auto descobrimento e desconstrução de várias coisas e, ao mesmo tempo, eu estava na minha jornada de lidar e aceitar várias outras questões sobre eu mesma.
Com o feminismo, eu aceitar que eu sou linda mesmo sem usar maquiagem, comprando roupas que a sociedade me diz que são masculinas, não usando brincos, com o cabelo raspado ou longo, com pelo ou sem pelo. A minha auto estima aumentou mil vezes ao me aceitar feminista e abraçar esse movimento. Eu aceitei que as meninas podem sim usar roupa curta e eu até descobri que eu gosto de roupa curta; eu descobri que eu posso dançar funk e não preciso fingir que só curto música indie - sim, eu amo Halsey e, ao mesmo tempo, meu sonho é ir em um show da Ludmilla ou da Anitta. Eu descobri que eu não vou morrer se falar a palavra sexo em voz alta. Ou seja, eu descobri um universo maravilhoso que eu não sabia que existia, porque o machismo estava tão impregnado na minha comunidade, na minha família, nas pessoas ao meu redor. 
Ser feminista é acreditar na igualdade de gêneros, é acreditar que mulheres são donas do seu próprio corpo e são capazes de fazer qualquer coisas por si só, porque elas podem. Ser feminista, não faz de você uma odiadora de homens, mulheres; e ser pró-feminista não faz de você, homem, menos homem. Homens e mulheres devem ser feministas. Uma mulher deve ser feminista, porque outras mulheres estão em uma situação mil vezes pior do que ela em algum lugar do mundo. Talvez você não precise do feminismo, mas alguma mulher no mundo está implorando por ela. Ser feminista é empoderar outra mulher; é dizer para uma menina que ela é linda do jeito dela, porque ela é mesmo; é mostrar para ela que ela pode fazer qualquer coisa se ela for determinada e tiver força de vontade e ninguém pode dizer ao contrário.
Talvez dizer que o mundo um dia será 100% feminista e igualitário seja uma grande utopia, mas acreditar que cada passo que damos estamos fazendo um mundo um pouco melhor do que ontem, já é maravilhoso e sempre seguimos para o próximo passo.

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