AS ESCOLHAS E DILEMAS DE UMA VIDA

fevereiro 18, 2016

Esses dias, eu estava pensando que em mais ou menos dois meses eu estarei fazendo 20 anos. É meio estranho pensar que todo esse tempo já se passou, mas ao mesmo tempo é animador começar essa outra fase da minha vida. Quando eu estava pensando sobre tudo isso, essa crônica aconteceu. Esse ano, eu descobri a minha paixão pelas crônicas e nada melhor do que uma para expressar todos os meus sentimentos.

XX
de tatii alves

Conforme os dias vão passando, eu me sinto mais pesada. Não como estivesse carregando um fardo, mas como se todas as minhas experiências se acumulassem nas minhas costas. O peso do conhecimento. Desde as risadas das brincadeiras de rua quando eu tinha sete anos, a tristeza profunda que eu senti aos quatorze anos e o vazio apático que foi desencadeado aos dezoito anos. Todas essas coisas somam as experiências da minha vida.
A vida adulta. A chegada de um número totalmente novo. O que isso significa? Uma nova fase que deveria parecer mágico. Algo que deveria ser life changing em um mundo romantizado. Olhando para trás, eu poderia ter a certeza de que vivi três ou quatro vidas dentro de uma.
Todos os dias, eu penso se continuarei a passar por essa constante metamorfose que compôs os meus anos, se vou continuar a dizer adeus a todas as pessoas que faziam parte de uma vida que não se encaixava mais na nova, se vou continuar a fugir de todas aquelas responsabilidades grandes demais para o meu emocional. Se os próximos vinte anos irão se resumir na mesma instabilidade emocional da minha juventude, se eu vou encontrar a resposta para a grande pergunta ‘quem sou eu’.
O meu corpo grita por alguma estabilidade, mas a minha mente segue a procura da verdade. Todos os meus 6940 dias vividos resultam naquilo o que eu sou hoje... Mas o que isso significa? Será que a vida é apenas isso? Um amontoado de dúvidas, dilemas e questões e, quando finalmente souber a resposta, será o fim?
As minhas costas doem com o peso daquilo que chamo de bagagem; o meu corpo pede para desistir, abrir mão de tudo e admitir para o universo que eles ganharam. Eles ganharam. Por muito tempo eu acreditei nisso e fiz o meu organismo acreditar nisso, que eu nunca seria forte o suficiente para as duras verdades do mundo. Talvez seja a hora de acreditar nisso... Ou a hora de lutar. Desistir talvez seja a opção mais fácil. Mas seria justo desistir nesse ponto? Depois de todas as pequenas batalhas que eu venci, os desafios emocionais que ultrapassei... A grande pergunta que resume a minha vida é: Será?
As dores, alegrias, tristezas, perdas e vitórias desses anos devem valer a pena para alguma coisa. Elas me fazem ser o que eu sou hoje, determinam o que serei amanhã e as esquinas e retornos que terei que virar lá na frente. É como uma corda bamba, todos os dias buscando o equilíbrio naquela fina linha com cada vez mais peso para carregar e o nosso desafio é chegar do outro lado com o mínimo de feridas possível... ou simplesmente pular da corda.
Por hoje, eu decido lutar. Não estou pronta para pular no invisível que envolve a corda. Preciso ter certeza de que consigo chegar o mais perto possível do fim da corda bamba. Um dia de cada vez. Respiração atrás de respiração. Batida atrás de batida. É como uma longa caminhada em um grande deserto: eu não sei onde ou como será o fim, apenas sonho todos os dias com ele, mas de um passo de cada vez sei que estou mais perto dele. Com a minha bagagem presa nas pontas dos meus dedos, esperando o momento certo para dançarem através da caneta e transformar e bela e pura prosa e poesia sobre os meus dias.

1 comentários

  1. Ai tatii, essa crônica me lê um pouco, verdade.
    E você é forte, menina e vai dar tudo certo (não me odeio por essa ultima parte, mas sei lá, meu coração quis que eu dissesse isso)

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