SOBRE A SEXUALIDADE NOS LIVROS JOVENS

maio 25, 2015

No último final de semana, o site O Globo - clique aqui para ler a matéria - publicou um artigo falando sobre o modo como a sexualidade é usada nos livros jovens. Como escritora desse tipo de público, amante de livros YA e jovem, eu decidi fazer um post falando sobre o assunto, não que eu espere que isso resulte em uma grande discussão, mas pelo menos estarei deixando aqui a minha opinião - até porque foi o assunto do final de semana.
Para começarmos a entender como funciona a divisão dos livros e seu mercado, os livros são basicamente divididos entre: Literatura Infantil (até sete anos), Literatura InfantoJuvenil (oito a doze anos), Literatura Jovem-Adulto ou YA (treze a dezoito anos), Literatura New Adult (dezoito a vinte e cinco anos) e Literatura Adulta e/ou Erótica (maiores de dezoito anos). Essas faixas etárias são para ajudar as editoras e seus selos na hora da publicação, porém não existe uma fiscalização na livraria/sebo/biblioteca, ou seja, uma criança de dez anos pode comprar Cinquenta Tons de Cinza assim como um adulto de vinte e cinco anos pode comprar O Diário de um Banana.
Para mim, a definição do termo "adolescente" só pode ser uma: curiosidade. Nós - e eu me incluo, pois ainda não me acostumei em não ser mais adolescente, apesar de nunca ter gostado desse termo, mas ser adulta é ainda mais assustador - somos curiosos sobre todos os tipos de assuntos, queremos saber sobre como é ser gente grande, queremos descobrir os segredos do universo, porque não queremos ser tratados como criança e a única forma disso agirmos como adultos. A curiosidade não para por aí, é nesse momento que estamos curiosos sobre o gosto de uma bebida alcoólica, como é a sensação de uma droga e qual e como é a nossa sexualidade. PS: sexualidade aqui neste post não é somente o sexo em si, mas assim como opção sexual e outros termos que sou um pouco leiga e não vou entrar em detalhes com medo de falar alguma besteira.
A nossa geração é a que eu gosto de pensar que está caminhando para um mundo tabu free, nós conseguimos falar sobre tudo abertamente, porém as únicas pessoas que podem nos aconselhar sobre os assuntos são, muitas vezes, conservadoras demais. Muitas pessoas mais velhas tem o medo de entrar nesse assunto, pois deduzem que se falarmos sobre isso em voz alta estaremos imediatamente ativos sobre o mesmo. Curiosidade não é fazer. Quando o adolescente não tem um adulto que o auxilia ou não permite tal assunto, ele recorre para os amigos, filmes, televisão, internet e até os livros e aí que começa a popularização dos livros jovens.
No artigo, o autor traz vários exemplos de livros que ele classifica como "livros jovens" e todo o resto do artigo, ao meu entender, dá a entender que os jovens que ele cita são crianças; porém os livros citados como, por exemplo, Maldosas, da Sara Shepard, e Selva de Gafanhotos, do Andrew Smith, são claramente livros YA, ou seja, o artigo julga de certa forma que adolescentes de treze anos ou mais estão lendo livros que possui um conteúdo que envolve a sexualidade.
Ao julgarem o que o público jovem consome de literatura devemos comparar com o mercado de filmes que, hoje em dia, não possui meios suficiente para proibir que um jovem de 16 anos assista um filme de 18 anos. No caso da televisão, quantas famílias tiram as crianças da sala quando a novela das nove - ou até a da onze - começa a passar. Como que um livro jovem que contem uma linguagem educativa e jovem sobre sexo pode ser pior do que uma letra de música americana que diz palavrões e palavras relacionado com sexo e, no clipe, possui mulheres com roupas curtas fazendo twerk?
Durante as discussões sobre a matéria que acompanhei nas redes sociais, uma me deixou intrigada e se tornou a minha dúvida eterna para com os adultos que tanto julgam os livros jovens atuais e o tema que eles abordam. Na escola, somos obrigados a ler clássicos que pouco nos interessam e O Cortiço, em particular, aborda temas do movimento naturalista e, em uma das cenas, mostra o estupro de uma jovem por uma prostituta. Como está tudo bem lermos um livro com esse conteúdo com quatorze anos, mas é "errado" lermos um livro jovem atual com a nossa linguagem e abordado da forma que queremos?
Também sou daquelas que pensam que uma pessoa quatorze anos pode ter uma mentalidade mais adulta do que uma pessoa de quarenta e ela vai entender melhor um livro New Adult do que a de quarenta anos. Acredito que o livro seja a melhor forma dos adolescentes serem educados e tomarem consciência da sua sexualidade e entender a sexualidade dos outros; os autores que escrevem esses tipos de livros sabem exatamente a forma de abordar tais assuntos sem parecer careta demais ou invasivo demais e cabe ao leitor saber qual tipo ele gosta mais.
O problema não é como os livros são escritos e a forma como eles apresentam a sexualidade, mas sim na consciência dos pais e do leitor. No artigo, o autor cita a educadora Tania Zagury que diz ter receio da forma como tais assuntos são representados e que uma criança de dois anos pode mexer em aparelho tecnológico sem ter muito trabalho e eu me pergunto - esse é o momento em que eu fiquei muito irritada com esse artigo - o problema é a criança de dois anos acessar um conteúdo impróprio ou os pais que largam um tablet ou celular com uma criança que deveria estar brincando?
Eu diria que eu aprendi mais com os livros jovens do que eu jamais aprenderia na escola - desculpa ensino, mas aprender sistema reprodutor e mostrar um monte de imagens de DST não é a forma correta de falar sobre sexualidade e nem vai impedir os jovens a fazerem sexo - e que cada vez mais esses livros deveriam ser usados nas salas de aulas como material de estudo e acabar logo com os tabus.
                                                                                                                                                                                                                           
Esse post faz parte da coluna VAMOS FALAR SOBRE, em que eu falo sobre assuntos polêmicos e "polêmicos" que saíram na internet, revistas, jornais ou nas redes sociais. Lembrando que tudo escrito neste post é a minha sincera opinião junto com um pouco de pesquisa, se você perceber algo errado nos dados ou quiser deixar aqui sua opinião para termos um debate saudável, será sempre bem-vindx.

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