A TRISTE VERDADE SOBRE SAIR DE CASA

maio 04, 2015

Primeiro eu ia fazer um post falando sobre a mudança, depois eu ia fazer um post sobre como eu percebi que finalmente eu estava morando sozinha e na faculdade, mas todos eles iam ser superficiais e este post aqui é sobre mudança, faculdade, morar sozinha e como tudo isso não é nada do que você pensou.

É fato que eu sempre sonhei em morar sozinha, morar longe dos meus pais e começar uma faculdade longe de São Paulo. Pelos meus tweets, posts e minhas conversas sempre deu pra perceber a certeza que eu tinha em fazer isso; eu via as pessoas que moravam sozinha e como era a vida delas e eu sempre quis isso e queria logo. OK, eu sempre dessa minha vontade de morar sozinha e não vou encher vocês com mais do mesmo. Enfim, quando isso aconteceu, tudo o que eu pensava era como a minha vida ia ser a mesma ou melhor, porque eu não teria meus pais do meu lado falando o que fazer ou o que não fazer.
Já faz uma semana que estou morando longe de casa e o ponto alto da semana foi quando eu voltei pra casa no feriado. Talvez seja aquela coisa de você só percebe o quanto gostava de algo quando você já não tem, mas essa é a verdade: você só sabe que amava aqueles momentos de tédio na sua casa quando você não mora mais lá. Você acha que prefere quando você fica sozinha em casa ao invés da casa cheia, mas a primeira coisa que você sente saudades quando mora sozinha são pessoas pra conversar. Isso porque eu moro com mais duas pessoas.
Eu via as pessoas que moravam sozinhas e achava que seria daquela forma sempre, mas ninguém conta para você desde o começo. O clássico "é difícil, mas depois melhora" não demora dois minutos, eu já sinto que ele vai demorar os quatro anos. Eu ainda acho que se eu morasse realmente sozinha talvez seria melhor, porque eu ligaria a tv, o computador e a música tudo ao mesmo tempo para não me sentir sozinha.
Domingo passado (26) quando a gente chegou em Marília, a minha ficha ainda não tinha caído, eu fiquei o dia todo com a minha família e eu ainda não sei se aquilo foi bom ou ruim, porque, quando eles foram embora, eu tinha a impressão que eles tinham ido somente dar uma volta de carro e já estariam de volta. Na segunda-feira, tudo o que eu fiz foi chorar. Na quinta-feira, eu estava ansiosíssima porque eu iria para casa e, no domingo, eu chorei no ônibus, porque teria que esperar até sexta-feira para voltar para casa. Pode ter certeza de que estou chorando enquanto escrevo este post. Talvez eu chore todos os dias nos próximos três meses.
Eu não me arrependo de ter decidido morar fora, porque mudar é uma coisa inevitável e iria acontecer mais cedo ou mais tarde; além de que a faculdade que estou fazendo é melhor do que a faculdade que eu faria se eu tivesse ficado em São Paulo. Também acho que é cedo demais para se arrepender de algo, porque esse período de adaptação é o pior e você tem que esperar, no mínimo, um mês para concluir e absorver tudo o que aconteceu.
Eu passei meus cinco meses de férias falando que eu queria que a mudança e as aulas acontecessem rápido, porque eu não aguentava ficar sem fazer nada; bom, eu ainda quero ter aula e ir para a faculdade, mas não poderia ser um pouco mais perto de casa? Tudo bem que a saudades é tanta que eu estou sendo capaz de passar seis horas em um ônibus para ir para casa e passar a madrugada de domingo para segunda e ir para a faculdade super zumbi para passar o domingo inteiro com a minha família.
Eu acho que não existe um jeito fácil de conseguirmos essa transição da adolescência para a vida adulta, todos os modos possíveis de uma pessoa amadurecer é difícil e eu acho que quanto mais cedo melhor, talvez eu vou estar mais preparada psicologicamente para problemas no futuro.
A minha sorte é que eu vou poder ir para casa nos finais de semana ou a cada quinze dias. O problema é que essa será a minha vida nos próximos quatro anos e eu espero que esses quatro anos passem tão rápidos quanto os últimos quatro anos passaram. Talvez agora eu aprenda a aproveitar os pequenos momentos que antes eu passava no meu quarto assistindo seriado ao invés de ter aqueles momentos. Talvez aquelas coisas que antes me irritavam com facilidade sejam passadas sem eu perceber, porque eu só estou grata por estar em casa.
Talvez isso seja amadurecer e crescer. Talvez tudo esteja melhor daqui um ou dois meses. Talvez eu não devesse ter lido tantos livros e não ter romantizado tanto esse momento. Mas, por enquanto, eu não gosto nenhum pouco disso.

3 comentários

  1. Esse post partiu meu coração. Mas ao mesmo tempo eu fico orgulhosa, porque mesmo que você não perceba você tá lidando de uma forma bem madura com isso. Poderia desistir de tudo por algo mais fácil, mas não vai. Vai ficar mais fácil, sério, você ainda ficará muito satisfeita por ter aguentado o começo disso tudo.

    ResponderExcluir
  2. Olá!

    Muito bom seu ponto de vista! Nos faz pensar em como seria nossa vida se vivêssemos longe da familia. Diferente de você, eu iria adorar. Mas, enfim, como você está passando por uma etapa, te desejo o melhor e, para de chorar, senão sua cara vai ficar cheia de rugas! Hahahaha

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Primeiramente parabéns pelo seu blog, seus posts falam muito de você, sua opinião, mas o mais interessante é que falam de todo mundo, situações que irão passar ou já passaram. A briga de sentimentos e descobertas. Geram muitas reflexões. Muito bacana você repetir sobre amor próprio, aceitação, acredito que é o que mais falta nas pessoas independente de idade. Bom, nesse post você diz sobre 'é difícil mas depois melhora', sim, melhora! Realmente é uma transformação, de costumes, aceitação, de adaptação. Já vi pessoas chorarem por alguns meses, já vi chorarem por dois anos e já vi desespero e desistência. Por isso digo, chore tudo que tem pra chorar, a qualquer hora, não se segure, rugas é mimimi, você nem usa maquiagem pra se preocupar em borrar. Esses momentos fazem parte do curso 'valorize o que você sempre teve' da escola 'vida'. Os momentos de fossa vão continuar por muito tempo porém, você estará forte o suficiente pra curti-los, com um filme ou outra atividade e saberá que ao amanhecer não terá fossa, já será outro momento, outro curso da vida.

    ResponderExcluir

POSTAGENS POPULARES

SIGA NO TWITTER