DIÁRIO DE ESCRITA #2 - CONSTRUINDO PERSONAGENS

março 15, 2015

Na minha opinião, essa é a parte mais difícil de todo o processo de escrita!
A primeira coisa que eu faço depois de resolver o enredo geral da história é construir personagens. Eu não sei se é assim para todo mundo, mas eu acho essa etapa a mais difícil e complexa, porque os personagens fazem a história - e com personagens digo também cenários, um lugar também pode ser o protagonista de uma história. Geralmente, eu abro um arquivo para cada personagem e decido detalhes físicos e psicológicos sobre ele; algumas vezes, e eu fiz isso tanto com essa história quanto pra Querida Kat, eu faço uma linha do tempo contando a vida do personagem, o que ele fez antes do livro. Tudo isso para eu ter uma noção de quem ele é.
Você já deve ter visto vários autores dizendo que os personagens tem vida própria, que um plot twist aconteceu sem o autor querer mas foi o que o personagem quis ou ele fez algo que o autor não queria? (O episódio que eu mais lembro é o da Kiera que disse que ela é team Aspen e queria muito que a America tivesse ficado com o Aspen, porém a America acabou ficando com o Maxon mesmo contra a vontade da Kiera) Bom, isso é totalmente verdade! Você pode perguntar: Mas, tatii, você escreve a história, como você escreve algo que você não quer/não deseja/algo que você não planejou? Eu já ouvi em algum lugar que os autores eles não fazem uma história, eles não inventam, eles apenas escreve, ele apenas põe no papel as palavras do personagem - uma coisa meio Chico Xavier, na verdade.
A primeira vez que isso aconteceu foi com Querida Kat e eu levei um susto quando vi que o que eu tinha planejado lá no começo, o que eu queria que as personagens fosse, não aconteceu e eu agradeci, porque ficou mil vezes melhor (se você pegar o primeiro rascunho dele e ver o resultado final dá pra ver a diferença). Então, eu pego esse tempo construindo os personagens para eu me adaptar com suas personalidades e até para que a gente tenha uma conexão, para o resultado final ser incrível.
Existe dois tipos de personagens que eu sinto que preciso ter uma conexão acima de qualquer outro: o narrador e o protagonista, porque muitas vezes o protagonista não é o narrador. Um tipo de escrita que eu amo é aquele que o narrador não é protagonista, ou seja, o protagonista é o personagem que a gente observa e o tema central do enredo. Livros como exemplos são "Quem é Você, Alaska?" e "Uma Garota Extraordinária Chamada Estrela". Eu foco nesses dois personagens e faço toda uma ficha deles, passando a conhecer melhor eles.
Uma coisa que eu não faço é escrever mais do que eu devia. Nessa conexão do narrador com o autor tem que ser fiel o máximo, na minha opinião, então se existe um segredo do protagonista que o narrador não sabe, quem sou eu para saber? É até melhor para a construção da história em si. Vocês podem ter como exemplo o John Green; vivem perguntando para ele qual foi o final da Hazel, se ela viveu, se ela morreu, se ela achou outro amor e ele simplesmente responde: eu não sei. Porque não é nosso trabalho saber qual é o futuro do personagem, nosso trabalho é relatar aquele episódio dos personagens e como eles se sentiram.
Tudo isso pode ser esquisito e papo de gente louca, principalmente se você não escreve, mas eu juro, é tudo verdade. É uma coisa meio do subconsciente, do envolvimento da pessoa com a história e um monte de coisa. Por mais louco que isso possa parecer, eu te digo, nem metade dos livros que você lê seria tão incrível e mágico se os personagens não teriam dado um puxão de orelha nos autores e mandado eles darem um final diferente para eles mesmos.

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