Class of 2014

novembro 18, 2014

Na vida, a gente passa por muitos altos e baixos. Na minha vida, eu passei por vários deles em muito pouco tempo. Mas acho que nada supera o que eu passei nesses últimos quatro anos. E acho que, se pudesse voltar no tempo, eu não mudaria absolutamente nada.
Há três anos atrás, eu tive que fazer a decisão mais difícil da minha vida e o que eu escolhi poderia definir o resto da minha vida. O que eu mais escutei foi críticas e quase nada de apoio, mas eu segui forte porque eu sabia que seria o melhor para mim e aguentaria as consequências.
A minha meta, naquele momento, era simplesmente sobreviver no Ensino Médio. Sem dramas. Sem paixonites. Sem me apegar. Assim eu conseguiria passar pelo Ensino Médio e conseguiria, finalmente, começar a tão bela vida independente que sempre sonhei.
O primeiro ano foi o mais difícil. A adaptação. É estranho entrar em um lugar onde ninguém te conhece e eu sou a pessoa mais tímida que eu conheço! Ficar em um grupinho só para não ficar sozinho. Rir de piadas que você não acha engraçado só para ser aceita em algum lugar. Na vida pessoal, eu ainda estava tentando me reencontrar e entender várias coisas que havia acontecido comigo mesmo.
O segundo ano passou muito rápido e aconteceu tanta cosia que eu nem lembro ao certo. Foi o ano em que eu me senti mais eu mesma e por isso que fiz tudo aquilo o que eu fiz. Nesse ano, fiz amizades maravilhosas e tive brigas maravilhosas (elas não podem ter sido boas, mas foi essencial para o meu crescimento pessoal). É um daqueles anos que você ainda está se descobrindo, mas não tem a mesma mentalidade do ano anterior.
Finalmente o terceiro ano chegou! A meta dele era simples: sobreviver ao terceiro ano. De todos, acho que foi o melhor. Não sei como explicar, porém vemos as coisas diferentes e aceitamos uns aos outros da forma diferentes que eles são. Eu passei muita coisa esse ano e quase voltei ao estágio que estava há quatro anos atrás...
O que eu quero dizer com tudo isso é que terminou e parece que todos aqueles momentos que achávamos que intermináveis acabou. Sobrevivemos. Tudo agora não parece nada além de um pontinho em nossa linha do tempo.
Nesses três anos, eu conheci pessoas que vou levar pelo resto da minha vida e pessoas que daqui dois anos nem vou lembrar que existem, mas que marcaram a minha vida do mesmo jeito. Pessoas que ontem eu falei "nossa, odeio essa pessoa" e daqui cinco anos vou ver na rua e cumprimentar, nem lembrar do porquê não gostava dela.
Ser adolescente é isso. É ter emoções e vivê-las intensamente. Isso é o que faz o Ensino Médio ser tão importante; nesses três anos que parecem tão pouco tempo mudamos de imaturos (de várias formas) a pessoas racionais e compreensivas (nem todos ou tanto assim). Aprendemos a viver com pessoas totalmente diferentes e aceitá-las, porque não podemos escolher com quem vamos conviver ao longo da vida.
Não consegui cumprir nenhuma meta de havia feito no começo e fico feliz com isso, porque mesmo que seria BEM mais fácil passar todos esses anos sem nenhum tipo de mimimi, eu perderia várias coisas e não teria nenhuma história para contar ou lembrar no futuro.
Eu aprendi muitas coisas nesses três anos e que vou levar por toda a minha vida (aprendi mais sobre a vida do que sobre trigonometria). Agradeço imensamente todas as pessoas que conviveu comigo nesses anos e sei que vou levar tudo o que a gente passou pelo resto da vida, seja uma amizade de quatro meses ou dois anos. Acho que posso sair da escola, fechar esse capítulo da minha vida, tendo me descoberto e finalmente dizer quem sou eu. Nunca vou me esquecer disso.

1 comentários

  1. Oi tatii,
    Nossa, você definiu muito do que eu sinto e me mostrou muitas coisas que eu nem tinha percebido. Eu acredito que experiências como a sua são verdadeiras experiências de Ensino Médio, sabe. Essa fase é justamente para isso, para se descobrir. Obrigada por dividir isso com seus leitores.
    Beijos,
    Giu.

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